26/07/2011

Diário Espiritual de um Jovem Gênio - 3ª Parte - Desfrute e Contemplação

Este terceiro ponto difere e muito deste segundo, gastei mais tempo e muitos neurônios para entender uma teoria de Samuel Alexander que Lewis cita no livro como importante para seu crescimento intelectual na compreensão da Alegria.
Ufa! Sofri para entender em parte esta teoria, (se eu quiser entender mais, creio que tenho que ir à fonte que é Alexander), mas novamente me identifiquei com o pouco que compreendi.


“...Li em Space, Time and Deity, de Alexander, sua teoria de Desfrute e Contemplação. Trata-se de termos técnicos na filosofia de Alexander; Desfrute nada tem a ver com prazer, nem Contemplação com a vida contemplativa...”

O que? Como assim? Não entendi!
Algumas linhas a diante comecei a pensar que tinha entendido. Mais um tanto de linha à frente, vi que eu era incapaz de entender por completo a ponto de sentir o que Lewis sentiu com sua descoberta. Mas ao final da explicação pude entender do que se tratava esta teoria, e no mínimo me identifiquei.
Depois de muitas linhas complexas ele continua:

“Em outras palavras, o desfrute e a contemplação das nossas atividades interiores são incompatíveis. Você não pode ter esperança e também pensar na esperança ao mesmo tempo; pois na esperança desfrutamos o objeto da esperança, e interrompemos esse processo (por assim dizer) ao nos virarmos para olhar a esperança em si. Logicamente, essas duas atividades podem se alternar, e realmente o fazem, com grande rapidez; mas são distintas e incompatíveis. Isso não era meramente um resultado lógico da análise de Alexander, mas sim algo que podia ser verificado na experiência diária e mesmo horária.
O meio mais certo de desarmar a raiva ou a luxúria era desviar a atenção da moça ou do insulto e começar a analisar a paixão em si. A maneira mais segura de estragar um prazer era começar a examinar a sua satisfação. Mas se era assim, então podia-se deduzir que toda introspecção é, em certo aspecto, desencaminhadora. Na introspecção, tentamos olhar para “dentro de nós mesmos” e ver o que está acontecendo. Portanto, quase tudo o que estava acontecendo no instante anterior se interrompe pelo próprio ato de nós nos voltarmos para olhá-lo. Infelizmente, isso não significa que a introspecção na da encontra. Pelo contrário: encontra precisamente o que resta depois da suspensão de todas as nossas atividades normais; e isso que resta são principalmente imagens mentais e sensações físicas. O grande erro é confundir esse mero sedimento, rastro ou subproduto com as próprias atividades.”


Estes foram os parágrafos que achei mais simples para transmitir a ideia. Eu achei muito interessante e eu já tinha me familiarizado com este pensamento. Mais adiante Lewis relaciona esta teoria com a sua procura da Alegria.

“Essa descoberta lançou nova luz sobre todo o meu passado. Percebi que todas as minhas esperas e vigílias à Alegria, todas as minhas vãs esperanças de encontrar algum conteúdo mental naquilo sobre que eu poderia, por assim dizer, pousar o dedo e afirmar –“ É isso aqui” –, tinham sido uma tentativa fútil de contemplar o desfrutado.”

Eureka! Entendi (haha). Como eu havia dito, este é um livro difícil de ler, tem que quebrar a cabeça.

06/07/2011

Diário Espiritual de um Jovem Gênio - 2ª Parte - J. R. R. Tolkein

Meu segundo ponto é na verdade engraçado (pelo menos achei). Lewis comenta sobre seu amigo J. R. R. Tolkien.
Imagina só; Lewis que hoje é conhecido como o maior escritor cristão do século XX e que escreveu a conhecida “As Crônicas de Nárnia”, e Tolkien, o primeiro pensamento, para os leigos assim como eu de Tolkien, é sobre o “Senhor dos Anéis” e nada sobre religião. Mas Tolkien era um católico fervoroso.

“Quanto comecei a lecionar na Faculdade de Inglês, fiz dois outros amigos, ambos cristãos (essa gente esquisita parecia pipocar por todo lado), que mais tarde iriam me ajudar muito a superar o último obstáculo. Eram H. V. V. Dyson (então de Reading) e J. R. R. Tolkien. A amizade com este assinalou a queda de dois velhos preconceitos. Logo que vim ao mundo aconselharam-me (implicitamente) a jamais confiar num papista, e na primeira vez que pus os pés na Faculdade de Inglês, (explicitamente) a jamais confiar num filologista. Tolkien era as duas coisas.”

Fiquei imaginado Lewis e Tolkien discutindo sobre a existência de Deus e sobre religião, sendo que no inicio da amizade, Lewis era ateu e Tolkien um cristão. Sério, achei engraçado isso.
Para quem quer saber mais sobre esta amizade e o quanto um influenciou o outro, leia "O Dom da Amizade" de Colin Duriez.