
De repente ele escuta uma voz poderosa porem tranquila, que vem em direção a ele do Templo:
- Filho. Estou aqui, diga-me, o que queres?
Imediatamente Athos responde:
- Pai, meu coração esta triste, sinto dores que nem sei explicar. Tenho sofrido derrotas atrás de derrotas, até mesmo o pecado que pensei ter vencido esta me afligindo novamente. Temo pela vida do meu próximo e quero ajudar as pessoas que o Senhor envia a mim, pois as amo, mas se eu estiver em pecado nada poderei fazer. Sinto-me sozinho...
Então a porta do Templo se abre, e de lá sai o seu melhor Amigo, aquele que sempre lhe deu conforto, aquele que sempre lhe amou. Enquanto Ele vinha em sua direção, Athos sentiu crescendo uma paz no seu coração por ver o Amigo de perto.
- Emanuel é você, que bom, já sinto uma paz. - diz Athos.
- Porque só agora sente segurança, não sabe que estou sempre contigo. Onde esta sua fé? – diz Emanuel – E por que esta máscara, não sabe quem Sou?
Então Emanuel tira-lhe a máscara e sem muito esforço com apenas uma de suas mãos a quebra em muitos pedaços.
- Agora sim vejo tua face. Diga-me o que lhe aflige? – diz Emanuel
- Emanuel. Tenho carregado um grande peso, minha cruz esta pesada, pois não tenho ajuda.
Depois de uma breve olhada ao redor, Emanuel diz:
- Mas me diga! Cadê a cruz que você diz carregar? Não vejo.
Athos olha para traz e realmente não vê nada além de sua própria bolsa nas costas.
Então Emanuel, pega sua bolsa com uma das mãos e lança ao chão. Quando a bolsa bate no chão ela se abre e dela sai inúmeras máscaras semelhantes a que Athos usava antes, mas com notáveis diferenças uma da outra.
Athos volta o olhar para Emanuel e fica envergonhado. Quando ele olha para a bolsa novamente, ela já não esta mais lá, simplesmente sumiu. Ele se sente desconfortável por perdê-las, mas se sente mais leve agora.
Então Athos agradece a Emanuel, mas ainda sim sente falta das máscaras.

-Athos- diz Emanuel – Eu te enviei amigos, não somente para que você os ajudasse, mas também para que eles o ajudassem. Entre os dons que te dei, eu lhe abençoei com o dom supremo que é o Amor, mas amar não é somente se doar é também confiar, e confiar não garante que todos serão fieis, mas mesmo assim você deve retribuir a confiança que eles lhe oferecem, e assim fortalecer a comunhão, isso também é amar. Eu amei e me entreguei para a salvação de todos que me recebem. Eu me tornei um alvo perante todos. Até que um amigo próximo me traiu. Mas mesmo assim eu amei.
- É verdade – diz Athos – não quero mais aquelas máscaras, quero agir como você Emanuel. Ajude-me!
- Eu ajudarei. Mas antes, que armadura é esse que você usa?
Athos, em uma mistura estranha de orgulho e humildade diz:
- É minha armadura Emanuel, eu mesmo fiz, me tornei forte assim.
- Forte? - pergunta Emanuel.
Depois disso, um breve silencio. Mesmo sem Emanuel dizer nada, Athos nota a besteira que falou. Como alguém protegido e forte estaria perante o Pai, tão fragilizado assim.
Então Emanuel levanta a mão e dá um leve golpe na ombreira da armadura, a ombreira se quebra facilmente e cai ao chão em vários pedaços.
Neste instante Athos nota o quanto aquela armadura era fraca
Athos abaixa a cabeça e diz:
- Eu sou um tolo. Tenho medo de parecer fraco para as pessoas, mas estou errado. Tenho pecado e consequentemente me distanciado de ti, e isso dói mais que tudo. Tenho confiado em minhas máscaras e em minha própria armadura para me proteger.
- Emanuel – continua Athos – minha mente se desvia da Verdade, me ajude, ensina-me a caminhar, entrego-me a ti.
Emanuel dá um sorriso, e diz:
- Vou te ajudar, mas lembre-se: quando você estiver passando pelo vale escuro, não acenda nenhuma tocha, confie em mim. No vale você não tem que tomar decisões, lá você tem que ser perseverante, deixe para meditar e decidir, quando você estiver no cume do monte, lá a visão é melhor sobre as coisas.
- Pronto? - pergunta Emanuel – posso começar?
- Entrego-me em tuas mãos, assim serei um vaso nas mãos do oleiro. Pode começar estou pronto.